Lagarto, o melhor inseticida para sítios e chácaras

Lagarto

– Com tanto espaço, por que eles têm que se esconder aqui?

Essa é a pergunta que dona Fátima fazia todas as manhãs, assim que acabava de lavar a varanda de sua chácara. Balde e vassoura em punho, ela olhava desanimada para o chão, onde a água fazia uma poça perto de um grande cano de esgoto. Perto da casa dos lagartos.

Dez anos atrás, quando legislei em favor dos répteis pela primeira vez, eles eram um simpático casal com pouco mais de um metro de comprimento do focinho à ponta do rabo. Hoje, são cinco grandes répteis que passam as manhãs em busca de comida e as tardes lagarteando ao sol. Levariam um vida pacata de cidadãos anistiados não fosse o fato de hibernarem justo no cano de escoamento da lavanderia, no quintal da, digamos, casa de campo da minha sogra.

Sou uma defensora fervorosa do equilíbrio ecológico. Por mim, girinos deveriam ser vendidos em saquinho, que nem peixinho dourado, para que cresçam e acabem com as moscas. Depois, estariam liberados para curtir a aposentadoria coaxando num charco no interior. Tamanduás poderiam ser alugados para uma curta temporada no forro da sua casa, exterminando cupins e formigas. Só as lagartixas seriam receitadas mediante prescrição biológica, porque não são capazes de discernir pernilongos de borboletas.

Um lagarto é mais eficiente do que um gato nas táticas de guerrilha anti-ratos. Uma família de cinco répteis dá conta de manter livre de pragas um estoque inteiro de cereais. Você não precisa se culpar por deixá-los sozinhos no final de semana nem tem de andar com um saquinho plástico nas mãos enquanto seu lagarto se alivia no jardim. Eles não latem, não rosnam, não precisam desmamar, são limpos e trocam de roupa sozinhos.

Lagartos se mantém íntegros até quando você tenta enxotá-los: a língua bifurcada vibra no ar, como a lembrá-lo de que eles podem ser tão traiçoeiros quanto suas primas cobras. Se quer viver bem ao lado de um lagarto, aprenda a tocar flauta.

Por que você deveria rezar para choverem sapos

Sapo

Eu não desejo que nenhuma praga bíblica irrompa dos céus nem que comecem a chover gafanhotos, mas se aparecessem mais sapos nas nossas hortas a gente poderia aposentar os inseticidas. Os animais de respiração cutânea costumam ser bem sensíveis à poluição e aos agrotóxicos – você também seria se respirasse pela pele. E é justamente porque vivemos num mundo cada vez mais poluído e onde se consome agrotóxico que nem refrigerante que os sapos, coitados, vêm desaparecendo. Para nosso azar.

Isso me lembra umas férias em Pindamonhangaba (SP). O calor abrasador obrigada eu e um grupo de amigos a nos mantermos molhados – o sítio tinha um laguinho artificial muito do bem vindo. Não precisei nem de dois minutos dentro da água para sentir uma coceirinha nas pernas. Olhei para baixo e vi que milhares de minúsculos peixinhos pretos me mordiscavam. Deviam estar entediados. Ou achando que eu era algo como uma minhoca gigante. Voltei ao livro que tinha apoiado estrategicamente na borda do lago e os deixei em paz.

Meu sossego durou até que uma das companheiras de viagem desse um berro enquanto apontava para minhas pernas: “Girinos!”. Minha primeira reação foi pensar éca. Girinos viram sapos. Sapos são gosmentos. E comem moscas. Nem precisa ser craque em sofisma para ver aonde isso vai dar: girinos são nojentos. Asquerosos. Morféticos e piolhentos. Para dizer o mínimo. Éca.

Mas girinos são os peixinhos dos sapos, canta Arnaldo Antunes. São pequenos demais para dar medo, molhados demais para parecerem gosmentos e ainda não foram iniciados na estimulante dieta dos pais, de modo que não comem nada muito diferente do que qualquer peixinho. Voltei ao livro torcendo para a menina nos deixar em paz, a mim e aos girinos.

Isso foi há dez anos. Depois de nadar com girinos, nunca mais tive nojo de sapo. Rãs costumam ser mais carismáticas, é claro, mas os sapos também têm seu valor. Lembro da música do sapo que não lava o pé. Gosto quando a letra reforça que ele “não lava o pé porque não quer”. Esperto esse sapo. Decidido. Sabe o que quer e hoje, definitivamente, ele não vai lavar o pé. Não mesmo. Fim de conversa. Deixe o sapo em paz. Mas ele bem que podia vir aqui em casa comer umas lesmas, hein?

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