Lagarto, o melhor inseticida para sítios e chácaras

Lagarto

– Com tanto espaço, por que eles têm que se esconder aqui?

Essa é a pergunta que dona Fátima fazia todas as manhãs, assim que acabava de lavar a varanda de sua chácara. Balde e vassoura em punho, ela olhava desanimada para o chão, onde a água fazia uma poça perto de um grande cano de esgoto. Perto da casa dos lagartos.

Dez anos atrás, quando legislei em favor dos répteis pela primeira vez, eles eram um simpático casal com pouco mais de um metro de comprimento do focinho à ponta do rabo. Hoje, são cinco grandes répteis que passam as manhãs em busca de comida e as tardes lagarteando ao sol. Levariam um vida pacata de cidadãos anistiados não fosse o fato de hibernarem justo no cano de escoamento da lavanderia, no quintal da, digamos, casa de campo da minha sogra.

Sou uma defensora fervorosa do equilíbrio ecológico. Por mim, girinos deveriam ser vendidos em saquinho, que nem peixinho dourado, para que cresçam e acabem com as moscas. Depois, estariam liberados para curtir a aposentadoria coaxando num charco no interior. Tamanduás poderiam ser alugados para uma curta temporada no forro da sua casa, exterminando cupins e formigas. Só as lagartixas seriam receitadas mediante prescrição biológica, porque não são capazes de discernir pernilongos de borboletas.

Um lagarto é mais eficiente do que um gato nas táticas de guerrilha anti-ratos. Uma família de cinco répteis dá conta de manter livre de pragas um estoque inteiro de cereais. Você não precisa se culpar por deixá-los sozinhos no final de semana nem tem de andar com um saquinho plástico nas mãos enquanto seu lagarto se alivia no jardim. Eles não latem, não rosnam, não precisam desmamar, são limpos e trocam de roupa sozinhos.

Lagartos se mantém íntegros até quando você tenta enxotá-los: a língua bifurcada vibra no ar, como a lembrá-lo de que eles podem ser tão traiçoeiros quanto suas primas cobras. Se quer viver bem ao lado de um lagarto, aprenda a tocar flauta.

Você registra quando suas orquídeas dão flor?

Agenda-Orquideas

– Não gostei desse mel novo.
– Por que?
– É muito líquido.
– Mudaram o estado físico do mel e não me avisaram?
– Rá-rá, que marido engraçadinho eu tenho. Não sabe que eu gosto de mel empedrado?
– Abre uma planilha no Google Docs. Bota lá: “Mel”. Aí, você pode etiquetar os vidros que for comprando e acompanhar num gráfico quando eles vão ficar no nível ideal de empedramento. E não se esqueça de fazer uma aba especial chamada “Verão”. Aí, você cadastra mais vidros, porque vai demorar mais pro mel endurecer no calor e…
– Você é maluco ou o quê?
– Eu aposto como você só ficou brava porque acaba de se dar conta de que não tem uma planilha “Mel” nas suas mil planilhas do Google Docs.
– Eu não sou assim!
– Nãããããããão, EU é que monto gráficos semanais para acompanhar o crescimento das orquídeas…
– É só para facilitar e saber quando elas vão dar flor, seu besta!
– Ah, claro. Porque se uma orquídea der flor sem estar devidamente catalogada…
– … eu não poderei apreciá-la em sua magnitude.
– Magnitude?
– É. Passa o mel.

Ecoloja doida venderia joaninhas por kg

Ecoloja
Vivo pensando em abrir uma loja ecológica. Seria como aquelas farmácias antigas, com um grande balcão de madeira e prateleiras de vidro. Entra uma madame, aflita. Os pulgões estão acabando com o jasmim. Não há motivo para preocupação: vendo joaninha por peso. Custa R$ 5 o quilo, mas você vai precisar de uma infestação num jequitibá para comprar tantas assim. Na vitrine, em uma grande caixa com furinhos, estão milhões de joaninhas esvoaçantes. “Passou um pouquinho de 200 gramas, pode ser?”, eu pergunto, com aquela cara-de-pau de quem sabe muito bem pesar 200 gramas certinho.

A loja ainda tem algumas joaninhas voando esbaforidas quando chega outro cliente. Problemas com a terra do quintal, que está muito dura. Trabalho com minhocas nacionais e americanas. Ele me pergunta qual é a diferença. “As americanas são mais gordas.” Pego o metro e começo a enfileirar as minhoconas, uma mais comprida que a outra. Claro, passa dos 5 metros, mas aí a culpa não é minha. Eu não parto minhocas no meio. Nunca. Ele que leve um pouco a mais.

O terceiro cliente é um avô. Diz que fez uma casa na árvore para os netos e que são os cupins que se divertem. Vou até os fundos da loja e dou um assobio. Devagar, aparecem os tamanduás, um surge de traz de uma árvore, outro, descansa perto dos sacos de alpiste. Pego o mais magrinho no colo e levo para dentro. “Você pode ficar com ele por uma semana. Tem que devolvê-lo escovado, limpo e saudável.” Ele assina o termo de compromisso e vai embora. O tamanduá, feliz da vida, põe a língua para fora e me dá um até logo.

A fera do aspirador de pó

Aspirador-AbelhaO trator da limpeza de 1,50 m irrompe no escritório rumo à varanda, com balde, vassoura, rodo, pano, escovão, aspirador de pó e… Êpa, aspirador de pó? Fui pé ante pé ver o que a Val estava aprontando quando a flagro, bravíssima, em cima do bebedouro dos passarinhos, dando golpes no ar com a mangueira do aspirador de pó.

– Val?
– …
– Val! Vaaaaaal!!!
– Chamou, Carol?
– Deeeesliiiiga o aspiradoooor, Vaaaaal!
– Ah, é!
– Val, o que raios você está fazendo com o aspirador, mulher?
– Chupando as abelhas, Carol.
– !
– Você não disse que o beija-flor morre se for picado por abelha? Tô vendo o bichim na maior agonia, voando aqui e ali, mas ele não consegue chegar perto do bebedor porque tá com abelha.
– Val, não vá me dizer que você está chupando as abelhas com o aspirador de pó…
– Ah, tô sim, e já faço isso desde a semana passada. Não reparou que as abelhas deram uma sumida?

Recado a uma lesma: não é nada pessoal, mas…

Recado Lesma

Estou numa guerra dos infernos com Dona Eufrália e suas filhas. A gente se detesta desde o dia em que nos conhecemos. Durante o dia, ela e sua prole se espalham; à noite, lanterna em mãos, eu as expulso, uma a uma, do meu vaso de petúnia.

Esse é o problema das lesmas: elas se multiplicam muito rápido. Desde que assassinei sem querer o marido de Dona Eufrália, a velha lesma não me deu mais sossego. Comeu todos os brotos da petúnia. Deixou seu visco brilhante por flores e folhas e começou um ardiloso plano de expansão para vasos vizinhos. Peguei uma de suas filhas dois andares abaixo, se preparando para atacar meu cacto preferido.

Gente de coração mole como o meu não consegue diferenciar a vida de uma minhoca da de uma lesma. Para mim, ratos são tão fofinhos quanto esquilos, ainda que tenham maus-modos à mesa. Morcegos são passarinhos noturnos. Hienas são cães que riem. Nenhum bicho vale mais que outro — humanos incluídos.

Só porque não conheço uma função interessante para uma lesma, não vejo porque matá-la. O que Dona Eufrália claramente não entende, dada a raiva com que instrui suas filhas a destruir minhas plantas. Então, toda noite, eu as recolho com uma varetinha, atravesso a rua e deposito, lesma por lesma, no gramado da praça. Já que estamos em guerra, elas que se entendam com os passarinhos.

Regra de ouro para nunca mais perder plantas

Perder plantas faz parte da vida de qualquer um que queira uma casa mais verde. Às vezes, elas morrem por água demais ou de menos. Perdem flores em mudanças repentinas de temperatura ou são atacadas por pulgões, formigas, besouros, cochonilhas e outras pragas vorazes. Ou, pior, definham em consequência de vírus, fungos e bactérias que muitas vezes nem dão sinal de ataque.

Todas essas causas são comuns e, ainda que a maioria seja evitável com fiscalização periódica de brotos e folhas, sempre deixam na gente a sensação de que não nascemos com dedo verde. Se você já perdeu uma planta querida ou gostaria de evitar um fim trágico a algum de seus vasos, memorize esta regra de ouro: “primeiro construa a casa, depois, leve a família”.

Isso significa que em vez de olhar uma folhagem linda no supermercado ou pedir muda de uma flor para sua vizinha, levá-la para casa e colocar num lugar bonito, você vai primeiro escolher o lugar e só depois pensar na planta. Parece uma simples inversão gramatical, mas não é: a ordem dos fatores realmente altera o produto.

Ao escolher o canto em que você pretende cultivar uma planta, você já sabe quais condições poderá oferecer de luz, clima e espaço. Se o local é sombreado, esqueça as espécies que vivem sob sol intenso. O espaço dá para um vaso médio? Nada de insistir numa frutífera. Tudo o que você tem de ventilação é uma janela basculante? Uma planta pendente talvez se adapte melhor do que um arbusto.

Seguindo a máxima de escolher o local primeiro, depois colocar a planta, você estará a meio caminho de ter um canto verde por muito mais tempo!

Eu mato orquídeas, mate você também

Aprendi a cozinhar com 7 anos e, aos 12, já era capaz de fazer um jantar simples para quatro pessoas. Arroz, que pra todo mundo é sinônimo de encrenca, nunca me tirou do sério, mas, mesmo assim, queimei muita panela tentando fazer um prosaico pudim. Já salguei demais, já salguei de menos, uma vez até “adocei” café com sal e só percebi ao beber. Hoje, me aventuro por algumas receitas mais elaboradas, mas nunca me atrevi a preparar uma feijoada ou uma refeição para mais de seis pessoas.

Tenho muito menos tempo de experiência no cultivo de plantas e menos ainda com orquídeas. Comecei a cuidar dos meus feijõezinhos ainda criança, mas sem a responsabilidade de regá-los ou protegê-los de pragas. E, claro, feijão é planta anual, que tem um ciclo de vida curtinho.

Agora pensa comigo: comquipode você desistir de orquídeas só porque matou uma chuva-de-ouro afogada ou porque sua Phalaenopsis nunca dá flor? Sério mesmo que você pretendia aprender a cozinhar já preparando uma bacalhoada à Gomes de Sá para doze pessoas? Sério mesmo que se depois de anos de treino seus suflês não forem tão perfeitos quando os dos restaurantes franceses você vai abandonar as panelas e os ramequins?

Assim como acontece com o cozinheiro, um bom jardineiro se faz de suas próprias tentativas e erros. Os erros doem – que o diga quem já precisou jogar fora uma panela inteira de algo carbonizado ou uma orquídea presenteada por alguém especial –, mas são ótimos mestres. Cabe a nós, aprendizes, aceitar o inevitável: eles fazem parte do processo.

Morreu sua plantinha? Fique triste, sim, mas insista. Compre ou adote uma nova orquídea. Persevere. Procure descobrir o que deu errado. Leia um pouco mais sobre a planta que você pretende adquirir e avalie se poderá oferecer o que ela precisa para ser feliz. No próximo vaso, você estará um passo à frente das pragas e um pouquinho mais esperto. Quer aprendizado mais bacana que esse?

Agora bora sujar as mãos de sangue, digo, terra.

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