Você registra quando suas orquídeas dão flor?

Agenda-Orquideas

– Não gostei desse mel novo.
– Por que?
– É muito líquido.
– Mudaram o estado físico do mel e não me avisaram?
– Rá-rá, que marido engraçadinho eu tenho. Não sabe que eu gosto de mel empedrado?
– Abre uma planilha no Google Docs. Bota lá: “Mel”. Aí, você pode etiquetar os vidros que for comprando e acompanhar num gráfico quando eles vão ficar no nível ideal de empedramento. E não se esqueça de fazer uma aba especial chamada “Verão”. Aí, você cadastra mais vidros, porque vai demorar mais pro mel endurecer no calor e…
– Você é maluco ou o quê?
– Eu aposto como você só ficou brava porque acaba de se dar conta de que não tem uma planilha “Mel” nas suas mil planilhas do Google Docs.
– Eu não sou assim!
– Nãããããããão, EU é que monto gráficos semanais para acompanhar o crescimento das orquídeas…
– É só para facilitar e saber quando elas vão dar flor, seu besta!
– Ah, claro. Porque se uma orquídea der flor sem estar devidamente catalogada…
– … eu não poderei apreciá-la em sua magnitude.
– Magnitude?
– É. Passa o mel.

5 razões para nunca mais tirar flores da mata

Orquidea-Mata
“Quando vi que o guarda não estava reparando, estiquei a mão e arranquei uma muda!” O relato tinha todas as características de uma grande façanha: minha amiga voltava de uma viagem para Búzios, no Rio de Janeiro, e, numa trilha preservada, encontrou uma orquídea florida e arrancou um pedaço da planta.

A história parece ser o máximo, mas, na real, é uma vergonha para todo mundo. Primeiro porque área de proteção ambiental é protegida por lei, tornando crime tentar sair de lá com qualquer coisa que não sejam fotos e lembranças. Não é difícil entender o motivo: se todo turista resolver levar para casa um souvenir da Mata Atlântica, o pouco que ainda resta dela não durará mais que alguns meses. O mesmo se aplica a qualquer outra região de mata nativa ou de natureza protegida.

Além disso, mesmo grupos pequenos de turistas causam, sim, impacto na fauna e flora local. Num descuido, a gente pisa num ninho de passarinho, esmaga uma muda de árvore, polui a água, espanta os polinizadores. Tudo isso desequilibra o mundinho que tanto as plantas quanto os animais precisam para viver e se reproduzir. Essa é uma engrenagem tão perfeita quanto delicada, como um relógio suíço. Mexer em qualquer coisa dá zebra.

Niqui minha amiga, não feliz em desrespeitar as instruções do guia, ainda mete a mão na planta e se acha vitoriosa. Agora, pensa comigo o trampo que foi trazer essa muda na mala, pegar avião com as raízes desidratando a cada minuto. Sem falar na orquídea, que estava toda feliz com a umidade natural de Búzios, e agora será condenada a viver num vaso dentro de um apartamento em São Paulo, numa região de clima completamente diferente de seu habitat.

E, honestamente, planta extraída da natureza é toda torta. Tem um monte de bicho, vem com praga, formigas mil. Não tem ninguém para ficar paparicando a coitada, então, ela tem folhas comidas, raízes cheias de insetos, uma inhaca. Fica linda na natureza, mas bem feiosa na sua sala, naquele vaso vietnamita esmaltado que você comprou por uma nota na floricultura.

Agora vem a pior parte: a maioria morre. Não se adapta às novas condições de habitat e, depois de uns dias, vai parar no lixo. Ou seja, a bravata da minha amiga não serviu para nada, só para matar a gente de vergonha.

Como as árvores viajam

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Minha avó foi uma cigana moderna: morou em mais cidades do que ouvi falar em todas as aulas de Geografia do Ensino Médio. Viajar para visitá-la era tão freqüente na minha família que eu quase nasci em um trem a caminho de Piracicaba. Mulher de temperamento solar e liberto, ela se cansava das casas com a mesma velocidade que enjoava dos maridos – foi casada três vezes, um escândalo para a época.
 
“Sua madrinha vai mudar outra vez!”, comentava minha mãe, desapontada, ao fim de um telefonema para São Sebastião, Rio das Pedras, São Paulo, Ilhabela. Nas casas de minha avó sempre havia caixas pelos cantos – algumas iam de um CEP para outro sem jamais serem abertas. Perdi a conta de quanto dinheiro ela gastou com rescisões de contrato de aluguel. Dona Vera simplesmente não criava raízes.
 
Foi dessa mulher franzina, mas poderosa, que herdei o gosto por viajar – além de uma preguicinha básica para cozinhar. Eu e meu marido não temos salários de cinco dígitos, então, uma rigorosa programação antecede nossas viagens. Como não temos filhos, as pessoas costumam achar que a única coisa com que nos preocupamos é em fazer as malas. Quem me dera!
 
Tenho quatro gatos e 151 vasos de orquídeas, sem falar na jabuticabeira, na árvore-da-felicidade, no manacá-de-cheiro, na cerejeira japonesa e num animado filodendro, para citar as plantas mais beberronas de água. Alimentar essa fauna e flora não é moleza: os gatos consomem 4 kg de ração por mês e as verdinhas são regadas diariamente – sim, faça chuva ou faça sol, já que a água que cai do céu mal dá conta de umedecer a terra do canteiro.
 
Vivo buscando truques para manter bichos e plantas bem cuidados mesmo que à distância. E criei gosto por viagens “verdes”, aquelas onde a paisagem e o contato com a natureza valem o passeio. Aos poucos, descobri que é possível, sim, fazer turismo sem abrir mão de nossos valores e do respeito pelo planeta.

Lá no Jardim Eterno, Dona Vera talvez se anime em saber que sua neta virou uma viajante com raízes.

Venha aprender a cuidar de suas orquídeas

ExpoFlora

Você ama orquídeas, mas vive matando as coitadas? Compra a planta cheia de flores e ela não fica nem um mês bonita na sua casa? Morre de culpa quando ganha um vaso imaginando que ele será sua próxima vítima? Colega “garden killer”, você não está só. Venha se redimir nesse divertido rehab, ops, curso de cultivo de orquídeas do portal Minhas Plantas.

No dia 15 de junho, a partir das 9h30, venha passar um sábado na companhia de outros “matadores de orquídeas” prontos para superar essa fase e ter plantas bonitas, saudáveis – e vivas! – por muitos anos. Vou contar como eu mesma consegui passar de assassina de plantas a orquidófila, além de ensinar alguns truques de cultivo: onde plantar, quantas vezes regar, como escolher o vaso e o que usar na adubação. Cada participante fará um transplante e levará para casa uma orquídea, além, claro, de mimos exclusivos oferecidos pela MB Flores.

Depois da aula prática, todos participarão de um almoço de confraternização no restaurante francês Sarrasin, que preparou um cardápio delicioso para o evento. E tem mais: banca de plantas, vasos e adubos a preços promocionais e ainda uma visita monitorada a um garden center quase secreto.

Venha passar um sábado delicioso e instrutivo com a gente – até as crianças podem participar! Inscrições e mais informações aqui. Nos vemos no dia 15!

Flores e frutas que atraem passarinhos

Flores Passaros

Precisei de dois dias para entender que o vulto fugidio que eu via de relance na janela era uma curiosa rolinha — um macho, como soube meses depois, dada a plumagem azulada na cabeça. Era o terceiro mês em que eu colocava frutas num pratinho preso do lado de fora do vidro, no quinto andar de um prédio em frente a uma avenida barulhenta e movimentada.

Cansada de ver pedaços de mamão e banana voltarem intactos para a cozinha, eu tinha desistido de ofertar frutas ao passaredo. Numa última tentativa de ter um lampejo da infância no interior em plena metrópole, resolvi apelar: coloquei alpiste e esqueci o pratinho na janela.

“O” rolinha logo sucumbiu à tentação do novo cardápio: em pouco tempo, passou a me visitar toda manhã. Depois, trouxe o bando, e minha felicidade era quase a de ver o elefante mexer a tromba no zoológico.

Mais uma vez, tentei as frutas e os vultos encarnaram de vez. Surgiu uma maritaca, arisca como pensamento. Um bem-te-vi exibido, com sua casaca preta cobrindo o peito banana-ouro. E sanhaços, chupins, cambacicas, beija-flores e sabiás, nomes que eu descobria num livro de pássaros com a surpresa de quem recorda velhos amigos.

Em um ano, minha janela virou assunto no ponto de ônibus. Eu podia ver as pessoas apontando para meu andar quando, de manhã, ainda sonolenta, abastecia todos os pratinhos, bebedouros e bandejinhas. Mudei para o prédio vizinho e ganhei uma varanda. Os bicudos rapidamente atualizaram o plano de vôo. Cheguei a fotografar 29 maritacas se refestelando com sementes de girassol — do graúdo, me ensinaram elas, que é mais saboroso.

Uma vez por mês, ia ao Ceagesp e comprava 40 quilos de girassol, 20 quilos de painço, 4 cachos de banana nanica e 4 mamões formosas, os maiores possíveis. Me sentia a dona de um estranho restaurante vegetariano.

Meus dias se pareciam cada vez mais com os de meu avô, dono de um rancho em Piracicaba (SP), quando ela finalmente apareceu. Fui para a varanda e encontrei as vasilhas reviradas, as frutas esmagadas e a grade numa imundice. Só os grãos tinham acabado. Todos. Não havia um painço de testemunha. Olhei para a vasilha de água: empoleirada na borda, a menos de um metro de mim, uma pomba cinza me observava, a cabeça dando aquelas inclinadas rápidas e discretas que só os pássaros sabem dar. Fiz um gesto amplo com o braço para que ela fosse embora. Ela voou num meio círculo raso e pousou na grade, meio metro adiante.

Não consegui manter a intrusa longe e, na velocidade das notícias ruins, logo meu marido soube da pomba. E a vizinha de baixo. E a síndica. Antes que o assunto virasse pauta da reunião de condomínio, suspendi todas as vasilhas e deixei o passaredo na secura. Nem água eles tinham. Quase morri de dó vendo as jovens maritacas, o pescoço ainda desplumado, caminhando ansiosas pela grade, como que procurando uma passagem secreta para a mesa farta.

Passaram-se meses nisso, com as pombas – elas agora eram três – obstinadamente me visitando todo santo dia. A clientela que ainda vinha precisava se contentar com as flores de russélia e as jabuticabas e pitangas que, mal maduravam, já enchiam o bico da passarada. Até que, enfim, as pombas desistiram do meu restaurante.

Hoje, nenhum tipo de grão vai para os pratinhos, reabastecidos toda manhã com mamão, banana e, eventualmente, abacate. Os chupins desapareceram me deixando como pagamento uma linda pena negra, que guardei em uma caixinha. Com a suspensão da oferta de sementes de girassol, as maritacas rarearam e só umas cinco vêm comer frutas. Mas sabiás, beija-flores, sanhaços, bem-te-vis e cambacicas continuam fregueses.

Eu já consigo reconhecer seus filhotes adolescentes, tremelicando de ansiedade e fome enquanto os pais ainda lhes levam alimento ao bico, uma cena rara que, hoje sei, é mais que o elefante e sua tromba, é a girafa, o leão, a savana inteira.

Nos dias nublados, “o” rolinha aparece, fuça as vasilhas e bebe água. Pisoteia as frutas com desdém. Me lança um olhar maroto, na esperança de que eu tenha pena. Eu, claro, fico de bico calado.

Recado a uma lesma: não é nada pessoal, mas…

Recado Lesma

Estou numa guerra dos infernos com Dona Eufrália e suas filhas. A gente se detesta desde o dia em que nos conhecemos. Durante o dia, ela e sua prole se espalham; à noite, lanterna em mãos, eu as expulso, uma a uma, do meu vaso de petúnia.

Esse é o problema das lesmas: elas se multiplicam muito rápido. Desde que assassinei sem querer o marido de Dona Eufrália, a velha lesma não me deu mais sossego. Comeu todos os brotos da petúnia. Deixou seu visco brilhante por flores e folhas e começou um ardiloso plano de expansão para vasos vizinhos. Peguei uma de suas filhas dois andares abaixo, se preparando para atacar meu cacto preferido.

Gente de coração mole como o meu não consegue diferenciar a vida de uma minhoca da de uma lesma. Para mim, ratos são tão fofinhos quanto esquilos, ainda que tenham maus-modos à mesa. Morcegos são passarinhos noturnos. Hienas são cães que riem. Nenhum bicho vale mais que outro — humanos incluídos.

Só porque não conheço uma função interessante para uma lesma, não vejo porque matá-la. O que Dona Eufrália claramente não entende, dada a raiva com que instrui suas filhas a destruir minhas plantas. Então, toda noite, eu as recolho com uma varetinha, atravesso a rua e deposito, lesma por lesma, no gramado da praça. Já que estamos em guerra, elas que se entendam com os passarinhos.

Longe demais das capitais

Longe Capitais

Grama cortada e terra molhada estão entre meus cheiros preferidos. Invocam um passado bucólico que, na real, não vivi — mas memórias têm disso, de ludibriarem a mente para garantirem aconchego no coração.

Lembro de ter encontrado, anos atrás, uns frasquinhos de óleos com essências bem incomuns. Um deles era de “Grama”. Abri o vidrinho na esperança de reencontrar o cheiro da infância, quando eu arrastava o velho cortador de grama pelo quintal, as lâminas estalando de ferrugem e preguiça, espantando grilos e aranhas. Depois, amontoava o mato úmido em pequenas pilhas, que os pardais logo desfaziam, com pios alegres de quem encontrou tijolo e cimento em liquidação. O sol queimava as bordas dos cortes, ajudando as folhas a cicatrizarem a poda. Enquanto passava um pano no cortador, tirando das lâminas o que sobrou de verde, eu enchia os pulmões daquele ar, tão impregnado de cores que era quase uma pintura.

Ainda que bem honesta, a essência “Grama” era de uma limpeza quase hospitalar. Certamente continha a meia dúzia de moléculas complexas que o mato exalava quando podado, aquele cheiro úmido e penetrante de renovação. Mas onde estariam os grilos assustados, as aranhas sonolentas, os pardais felizes? Os brotos tímidos que enfim ganhavam luz, as minhocas fugidias, os vapores das entranhas da terra? A ferrugem do carrinho?

Vai ver, tudo isso faz parte de um cheiro só. O aroma da infância longe das capitais.

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