Lagarto, o melhor inseticida para sítios e chácaras

Lagarto

– Com tanto espaço, por que eles têm que se esconder aqui?

Essa é a pergunta que dona Fátima fazia todas as manhãs, assim que acabava de lavar a varanda de sua chácara. Balde e vassoura em punho, ela olhava desanimada para o chão, onde a água fazia uma poça perto de um grande cano de esgoto. Perto da casa dos lagartos.

Dez anos atrás, quando legislei em favor dos répteis pela primeira vez, eles eram um simpático casal com pouco mais de um metro de comprimento do focinho à ponta do rabo. Hoje, são cinco grandes répteis que passam as manhãs em busca de comida e as tardes lagarteando ao sol. Levariam um vida pacata de cidadãos anistiados não fosse o fato de hibernarem justo no cano de escoamento da lavanderia, no quintal da, digamos, casa de campo da minha sogra.

Sou uma defensora fervorosa do equilíbrio ecológico. Por mim, girinos deveriam ser vendidos em saquinho, que nem peixinho dourado, para que cresçam e acabem com as moscas. Depois, estariam liberados para curtir a aposentadoria coaxando num charco no interior. Tamanduás poderiam ser alugados para uma curta temporada no forro da sua casa, exterminando cupins e formigas. Só as lagartixas seriam receitadas mediante prescrição biológica, porque não são capazes de discernir pernilongos de borboletas.

Um lagarto é mais eficiente do que um gato nas táticas de guerrilha anti-ratos. Uma família de cinco répteis dá conta de manter livre de pragas um estoque inteiro de cereais. Você não precisa se culpar por deixá-los sozinhos no final de semana nem tem de andar com um saquinho plástico nas mãos enquanto seu lagarto se alivia no jardim. Eles não latem, não rosnam, não precisam desmamar, são limpos e trocam de roupa sozinhos.

Lagartos se mantém íntegros até quando você tenta enxotá-los: a língua bifurcada vibra no ar, como a lembrá-lo de que eles podem ser tão traiçoeiros quanto suas primas cobras. Se quer viver bem ao lado de um lagarto, aprenda a tocar flauta.

Como NÃO cultivar tomates num apartamento

Tomates

Adoro uma roça. Tenho palpitações cada vez que vejo uma horta e, se tiver um galinheiro por perto, é capaz de eu botar um ovo de alegria. Em 2001, quando ganhei meu primeiro naco de varanda, minha fazendeira interna despertou. Plantei morangos, pitanga, amora, jabuticaba, vários tipos de temperos. E cinco pés de tomate. A maior parte da plantação morreu ao se dar conta de que vivia num canteiro mínimo, de 70 cm de profundidade por 20 cm de largura. Aumentei os cuidados: oito horas de sol por dia, adubo duas vezes por mês, água à vontade. Quando o tempo fechava, eu chovia nelas com um borrifador e água de colônia. Era a horta mais mimada da cidade.

Quando os tomateiros já estavam maiores que Michael Jordan, minhas vizinhas começaram a me inquirir. Moravam no prédio montes de velhinhas. Da rua, dava para ver begônias, azaléias e mini-rosas pendendo das varadas. Só na janela do apartamento 64 – o meu – é que havia estacas. Às vezes, eu abria a porta e topava com duas eufóricas senhorinhas: “Ai, benzinho, posso mostrar para minha irmã aquele seu canteiro?”. Nem dava tempo de responder. As duas passavam por mim como furacão. “Não falei, Abigail, ela tem tomates na janela!”

Já tinha me acostumado a ser a aberração do prédio quando os tomates começaram a ficar vermelhos. Foram 20 dias de assédio. Se eu encontrasse uma delas no elevador, não conseguia sair antes de prometer que daria um tomate. Comecei a andar de escadas, mas elas sempre me achavam. “Só unzinho?” Me sentia uma celebridade. Eu já tinha prometido o canteiro inteiro quando aconteceu o pior. Numa noite de vento forte, os tomates se jogaram do parapeito. Suicídio coletivo. Levei meses para perdoá-los, mas, hoje, eu os entendo. Foi muita pressão.

Flor-de-ervilha vira buquê de noiva divino

Flor-Ervilha

Estaria mentindo se dissesse que eu sempre amei lilás. Minha mãe vivia dizendo que roxo era cor de morto e eu lembrava das olheiras de mentirinha que ela pintava no meu rosto pra festa das bruxas da escola. Se roxo era cor de cadáver, lilás tampouco era meio morto-vivo.

Depois que você sai da casa dos pais, começa uma curiosa redescoberta do mundo. Você odiava alho até que alguém lhe faz uma brusqueta maravilhosa e alho, que antes só servia pra afastar os vampiros, vira um tempero querido. Você detestava roxo até virar editora de moda de uma revista, fã de carteirinha da Oficina de Estilo e fazer as pazes com cores que não são preto e azul jeans.

E eu, que fui uma criança cheia de preconceitos com cores e comidas me peguei uma adulta curiosa e experimentadora. Tudo isso pra dizer que casei de lilás, com um buquê ma-ra de… flor-de-ervilha. Porque virar adulto é começar uma nova leva de preconceitos e rosa branca, de-fi-ni-ti-va-men-te, não era pra mim. Se bem que marido casou sem gravata e com uma camisa de rosas. É, ainda está em tempo de rever algumas certezas…

Emengarda Letícia, a moradora indesejada

Emengarda_Leticia

 

– Ave, o que foi que a Emengarda Letícia te fez?
– Ih, Carol, faz tempo que a gente tá se estranhando…
– Mas tinha que expulsar a coitada? Ela é visita, isso não se faz!
– ERA visita. Não é mais.
– Quê isso, olha a ignorância…
– Foi ela que começou, Carol. Eu estava quietinha no meu canto quando aquela lazarenta morfética veio pra cima de mim.
– Mas precisava bater com tanta força?
– Ela devia erguer as mãos pro céu por eu não ter acabado com a raça dela.
– Eu diria que ela está fazendo isso.
– O quê?
– Erguendo as mãos pro céu. Todas elas. Dá uma olhada no que você fez…
– Não gosto dela, Carol. Logo que vim trabalhar aqui na sua casa eu falei isso. Você não quis ouvir. Disse que tudo bem, que ela tinha sido despejada da outra casa, que estava traumatizada e tudo.
– Justamente.
– Ah, é? Só que ela viu que era sua protegidinha e começou a trazer a família inteira pra cá. Veio marido, mãe, pai, irmão, uma penca de filho…
– A Emengarda Letícia não tinha onde morar! Você não tem coração? E se fosse com você, ia gostar se alguém te expulsasse da sua casa, botasse seu marido e sua filha pra fora e ainda quebrasse suas pernas? Ou seus braços, não sei ao certo o que você quebrou.
– Carol, pelamor, é só uma aranha!

Longe demais das capitais

Longe Capitais

Grama cortada e terra molhada estão entre meus cheiros preferidos. Invocam um passado bucólico que, na real, não vivi — mas memórias têm disso, de ludibriarem a mente para garantirem aconchego no coração.

Lembro de ter encontrado, anos atrás, uns frasquinhos de óleos com essências bem incomuns. Um deles era de “Grama”. Abri o vidrinho na esperança de reencontrar o cheiro da infância, quando eu arrastava o velho cortador de grama pelo quintal, as lâminas estalando de ferrugem e preguiça, espantando grilos e aranhas. Depois, amontoava o mato úmido em pequenas pilhas, que os pardais logo desfaziam, com pios alegres de quem encontrou tijolo e cimento em liquidação. O sol queimava as bordas dos cortes, ajudando as folhas a cicatrizarem a poda. Enquanto passava um pano no cortador, tirando das lâminas o que sobrou de verde, eu enchia os pulmões daquele ar, tão impregnado de cores que era quase uma pintura.

Ainda que bem honesta, a essência “Grama” era de uma limpeza quase hospitalar. Certamente continha a meia dúzia de moléculas complexas que o mato exalava quando podado, aquele cheiro úmido e penetrante de renovação. Mas onde estariam os grilos assustados, as aranhas sonolentas, os pardais felizes? Os brotos tímidos que enfim ganhavam luz, as minhocas fugidias, os vapores das entranhas da terra? A ferrugem do carrinho?

Vai ver, tudo isso faz parte de um cheiro só. O aroma da infância longe das capitais.

Regra de ouro para nunca mais perder plantas

Perder plantas faz parte da vida de qualquer um que queira uma casa mais verde. Às vezes, elas morrem por água demais ou de menos. Perdem flores em mudanças repentinas de temperatura ou são atacadas por pulgões, formigas, besouros, cochonilhas e outras pragas vorazes. Ou, pior, definham em consequência de vírus, fungos e bactérias que muitas vezes nem dão sinal de ataque.

Todas essas causas são comuns e, ainda que a maioria seja evitável com fiscalização periódica de brotos e folhas, sempre deixam na gente a sensação de que não nascemos com dedo verde. Se você já perdeu uma planta querida ou gostaria de evitar um fim trágico a algum de seus vasos, memorize esta regra de ouro: “primeiro construa a casa, depois, leve a família”.

Isso significa que em vez de olhar uma folhagem linda no supermercado ou pedir muda de uma flor para sua vizinha, levá-la para casa e colocar num lugar bonito, você vai primeiro escolher o lugar e só depois pensar na planta. Parece uma simples inversão gramatical, mas não é: a ordem dos fatores realmente altera o produto.

Ao escolher o canto em que você pretende cultivar uma planta, você já sabe quais condições poderá oferecer de luz, clima e espaço. Se o local é sombreado, esqueça as espécies que vivem sob sol intenso. O espaço dá para um vaso médio? Nada de insistir numa frutífera. Tudo o que você tem de ventilação é uma janela basculante? Uma planta pendente talvez se adapte melhor do que um arbusto.

Seguindo a máxima de escolher o local primeiro, depois colocar a planta, você estará a meio caminho de ter um canto verde por muito mais tempo!

Posse responsável de plantas em vaso

Está para nascer o dia em que as plantas receberão os mesmos cuidados destinados aos bichos de estimação. Como elas não ronronam nem sabem dar a patinha, costumam ser alvo de todo tipo de maus-tratos: definham por falta ou excesso de água, se espremem em vasos pequenos ou esgotam os nutrientes da terra sem que ninguém se dê conta de seu sofrimento. Isso quando não passam a vida toda confinadas a um saguão escuro, a metros de distância da janela mais próxima.

Em lojas, shoppings e escritórios, plantas geram simpatia. Mas, a despeito da pose de comprometimento ecológico, as empresas que têm vasos de maneira tão ostensiva costumam ser as mesmas que se desfazem deles como se fossem meros objetos. Repare como estão sempre floridas as bromélias das praças de alimentação, como despontam as orquídeas nos consultórios médicos, como brilham as folhagens ao lado dos caixas de supermercado. Seria um sinal e tanto de respeito ao meio ambiente não fosse o fato de essas plantas serem trocadas periodicamente – as antigas vão, sumariamente, para o lixo.

Apesar desse cenário triste, não é preciso muito esforço ou dedicação para ter um pouco de verde em seu apartamento ou firma. Aqui vão meus cinco mandamentos da Posse Responsável de Plantas em Vaso:

1 — Plantas não são de plástico
Só tenha um vaso em casa se puder suprir as necessidades básicas de água, luz, terra e nutrientes que qualquer ser clorofilado tem.

2 — Plantas não são descartáveis
Não jogue fora os vasos que perderam as flores. Respeite o ciclo e as características de cada espécie e você terá floradas novas no próximo ano (quem sabe até mesmo antes disso).

3 — Plantas não são brinquedos
Faça podas somente quando for necessário, procurando manter o desenho natural da árvore ou do arbusto. Se tiver dúvidas de como podar, consulte um jardineiro antes de cortar os galhos.

4 — Plantas não são enfeites
Não submeta vaso nenhum a um hall completamente escuro ou a um banheiro sem vitrô nem janela só porque fica bonito. Há espécies que se adaptam aos lugares mais incomuns, mas mesmo elas precisam de um mínimo de luz e ventilação

5 — Plantas não são de ferro
Elas pegam doenças e envelhecem. Proteja-as de ventos, mantenha-as livres de pragas e garanta-lhes uma boa aposentadoria. Elas retribuirão com flores, frutos e sombra fresca.

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